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Contra-senso entre as partes

Moçambique: Negociações continuam com Gorongosa debaixo de bombardeamentos

Maputo - As negociações entre o Governo moçambicano e a Renamo, o maior partido da oposição, entraram numa fase considerada «boa» onde as posições, que eram muito afastadas, se começam a aproximar.

As rondas negociais passaram a incluir encontros secretos na Assembleia da República e já foram dados passos considerados «significativos», como por exemplo na reestruturação dos actuais órgãos eleitorais, um ponto considerado central.

Só que, paradoxalmente nas frentes militares, as coisas tendem a piorar, num contra-senso entre as partes que está a deixar todo o país perplexo.

Enquanto as forças da Renamo cessaram os ataques ao nível da Estrada Nacional número um, que liga o centro e o sul do país, o Governo intensificou os bombardeamentos à serra da Gorongosa, onde se acredita que esteja o líder da Ranamo, Afonso Dlhakama, que não é visto em público desde Outubro do ano passado.

Aliás, na semana passada, Dhlakama falou telefonicamente com os principais editores de Maputo, num encontro promovido pelo Secretário e no qual a PNN esteve presente, onde se mostrou satisfeito com os avanços que estavam a ser registados na frente política.

Por estes dias o Governo intensificou os bombardeamentos à serra de Gorongosa com artilharia pesada. A população continua a fugir das suas zonas de origem e muitas vezes seviciada pelos militares acusados de colaborar com os homens da Renamo. Mas, o certo é que há duas décadas que a população convive com os guerrilheiros da Renamo, até ao início do conflito armado.

A Renamo já condenou, através do porta-voz de Afonso Dhlakama, António Muchanga, também membro do Conselho de Estado, as investidas das tropas governamentais e acusou o Governo de «falta de seriedade».

O Governo ainda não reagiu em relação aos ataques e deverá fazê-lo dentro de dias, em Maputo. Mas a situação está a deixar perplexa toda a sociedade, que não percebe a motivação dos bombardeamentos à serra da Gorongosa.

(c) PNN Portuguese News Network

2014-02-12 11:42:14

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