Luís Silva apela a parcerias empresariais entre Angola e Namíbia
O ministro do Comércio de Angola, Luís Silva, defendeu publicamente o reforço das parcerias empresariais entre Angola e a Namíbia como estratégia fundamental para conquistar mercados regionais. A declaração surge num contexto em que ambos os países procuram diversificar as suas economias e aumentar a presença comercial na região austral do continente africano.
O governante angolano sublinhou que a cooperação entre os sectores privados dos dois países permitirá não apenas aceder a novos mercados, mas também criar cadeias de valor sustentáveis que beneficiem as populações de ambos os lados da fronteira. A proximidade geográfica e as ligações históricas entre Angola e a Namíbia constituem, segundo Luís Silva, uma base sólida para esta integração económica.
Oportunidades de complementaridade económica
A proposta do ministro angolano assenta na ideia de que os empresários dos dois países podem combinar recursos e competências para competir de forma mais eficaz nos mercados da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral. Angola possui vantagens em sectores como o petróleo, diamantes e uma base industrial em crescimento, enquanto a Namíbia se destaca em áreas como a exploração mineira, pescas e turismo.
Esta complementaridade pode traduzir-se em projectos conjuntos que permitam às empresas angolanas e namibianas apresentarem-se com maior força em mercados como a África do Sul, Zâmbia, Zimbabwe e outros países da região. A visão passa por ultrapassar as limitações que cada economia enfrenta isoladamente, apostando na união de esforços.
Especialistas do sector privado angolano têm apontado que a integração regional constitui uma necessidade urgente num continente onde as barreiras comerciais ainda persistem, apesar dos acordos formais existentes. A criação de alianças estratégicas entre empresários permite contornar obstáculos burocráticos e logísticos que frequentemente travam o comércio intra-africano.
Quadro da cooperação bilateral existente
As relações comerciais entre Angola e a Namíbia não são recentes. Ambos os países partilham uma fronteira extensa e mantêm acordos bilaterais em várias áreas, desde a gestão de recursos hídricos até à segurança fronteiriça. No plano económico, porém, o potencial de cooperação permanece largamente subaproveitado.
Dados disponíveis indicam que o volume de comércio bilateral ainda não reflecte as possibilidades reais de intercâmbio. As trocas comerciais concentram-se em produtos primários e existe margem considerável para aumentar o comércio de bens transformados e serviços. A recente melhoria das infraestruturas fronteiriças abre portas para intensificar este intercâmbio.
O porto de Namibe, em Angola, e o porto de Walvis Bay, na Namíbia, constituem dois pontos estratégicos que podem servir de plataformas logísticas complementares para o escoamento de produtos para os mercados regionais e internacionais. A ligação rodoviária entre as duas regiões tem vindo a melhorar, facilitando o transporte de mercadorias.
Enquadramento na estratégia regional
A aposta nas parcerias com a Namíbia insere-se numa estratégia mais ampla do Governo angolano de dinamizar o comércio regional. Angola tem procurado assumir um papel mais activo na Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, promovendo iniciativas que visam a livre circulação de bens e capitais na região.
O país está igualmente envolvido em negociações para a implementação efectiva da Zona de Comércio Livre Continental Africana, um acordo que pretende criar o maior mercado único do mundo em termos de número de países participantes. Neste contexto, as parcerias bilaterais com países vizinhos como a Namíbia ganham importância estratégica.
A diversificação económica constitui uma prioridade das autoridades angolanas, que procuram reduzir a dependência das receitas petrolíferas. O comércio regional e a industrialização são vistos como pilares fundamentais desta transformação estrutural da economia nacional.
Sectores prioritários para cooperação
Entre os sectores identificados como prioritários para as parcerias empresariais Angola-Namíbia encontram-se:
- Agro-indústria e segurança alimentar, aproveitando as terras aráveis de Angola e a experiência namibiana em agricultura de zonas áridas
- Energia, com possibilidade de Angola fornecer electricidade a partir de projectos hidroeléctricos e a Namíbia investir em energias renováveis
- Turismo transfronteiriço, criando circuitos que integrem atracções de ambos os países
- Indústria transformadora, com foco em produtos derivados de recursos naturais
- Serviços financeiros e facilitação de pagamentos transfronteiriços
- Logística e transportes, optimizando corredores de escoamento
Desafios à concretização das parcerias
Apesar do discurso político favorável, a materialização de parcerias empresariais enfrenta obstáculos concretos. As diferenças nos sistemas regulamentares, a questão das garantias bancárias para operações transfronteiriças e as limitações no acesso a informação sobre oportunidades de negócio constituem barreiras frequentemente mencionadas por empresários.
A necessidade de harmonizar procedimentos alfandegários e facilitar o movimento de pessoas de negócios entre os dois países figura entre as medidas práticas que podem acelerar a cooperação empresarial. Sem reformas administrativas concretas, os apelos à integração correm o risco de permanecer apenas no plano retórico.
O acesso ao financiamento para projectos conjuntos representa outro desafio. Os bancos comerciais de ambos os países ainda demonstram cautela em financiar operações transfronteiriças, exigindo garantias elevadas que muitas pequenas e médias empresas não conseguem apresentar.
Expectativas do sector privado
Organizações empresariais angolanas aguardam agora medidas concretas que traduzam em acções práticas as declarações do ministro do Comércio. A criação de mecanismos de facilitação, como balcões únicos para investidores, acordos de dupla tributação e programas de apoio a missões empresariais, são algumas das ferramentas sugeridas.
A realização de feiras comerciais conjuntas, a partilha de informação sobre oportunidades de investimento e a criação de plataformas digitais de contacto entre empresários dos dois países poderiam acelerar o processo de identificação de parceiros e projectos viáveis.
Resta saber como as autoridades de ambos os países transformarão esta visão de cooperação económica reforçada em resultados tangíveis que beneficiem efectivamente os agentes económicos no terreno. O próximo passo aguardado é a definição de um roteiro claro com prazos e responsabilidades específicas para a implementação desta estratégia de parcerias empresariais.


